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Juventude e Ternura (1968)

Aurélio TEIXEIRA

Wanderléa, Anselmo Duarte e Ênio Gonçalves interpretam o trio protagonista deste filme feito para surfar na onda da Jovem Guarda, da nova música rock brasileira dos anos 1960. Anselmo Duarte, contrabandista de whisky, vê Wanderléa num bar e investe na sua carreira de cantora. Ela ama o compositor das suas canções, cada vez mais populares, e afasta-se do empresário que a lançou. O filme é interessante por ser um musical típico destes anos onde a música tinha um papel fundamental na vida dos jovens e ser um fenómeno extremamente popular. Wanderléa era a grande figura da Jovem Guarda e no filme ela interpreta alguns dos seus grandes sucessos. Melun TV 3/5

Rio, Verão e Amor (1966)

Realização de Watson Macedo

Uma comédia musical que retrata a juventude carioca dos anos 60 nos seus momentos mais tontos e superficiais. Não está longe daquelas comédias de praia de adolescentes excitados que explodiram no início dos anos 80. A comédia brasileira é naturalmente mais bem comportada e, antecipando em décadas Trolls World Tour, tem como um dos temas a oposição entre dois estilos musicais então em voga: a bossa nova e o iê-iê-iê da Jovem Guarda. Mas mesmo a música é má... Cantada por Renato e seus Blue Caps, Lilian, Brazilian Bitles e Zumba 5. O melhor do filme é então o Rio, as suas praias e a própria cidade, únicas no mundo. Melun 2021 TV 1,5/5

Finian's Rainbow (1968)

Nunca se fala deste musical dos finais dos 60s, que une dois nomes míticos do cinema separados por várias gerações: Fred Astaire e Francis Ford COPPOLA. Nem um nem outro estão à altura do seu melhor, que começaria nos 70s para Coppola e terminara para Astaire nos 50s... O filme parece-se damasiado com outros musicais da época e até anteriores, aliando fantasia e maravilhoso para retratar uma comunidade rural um pouco fora do tempo. Na verdade, na origem do filme, está o musical homónimo, de 1947, com música de Burton Lane, e argumento e letras de E. Y. Harburg e Fred Saidy. Musical e filme contam a história de Finian McLonergan (Fred Astaire) e da sua filha Sharon (Petula Clark) que chegam a uma aldeia situada no Rainbow Valley onde pretendem multiplicar o ouro que tomaram de um duende, que por sua vez os persegue. Não sendo mau, o filme não chega a entusiasmar, apesar de boas músicas como Look to the Rainbow, cantada por Petula Clark, atriz com pouco carisma (mas boa voz). Vila do Conde 3/5 

Música de Burton Lane Letras de E. Y. Harburg e Fred Saidy 
Overture Look to the Rainbow This Time of the Year How Are Things in Glocca Morra? Look to the Rainbow (Reprise) Old Devil Moon Something Sort of Grandish If This Isn't Love (That) Great Come-and-Get-It-Day When the Idle Poor Become the Idle Rich Rain Dance Ballet The Begat When I'm Not Near the Girl I Love

Virou bagunça (Watson Macedo, 1960)

Pouco tempo depois deste filme, também os Beatles tiveram direito a filmes em que os quatro atuavam e cantavam no meio de uma história sem grande originalidade. Em Virou Bagunça é o Trio Irakitan, famoso na época, que protagoniza uma chanchada vitaminada pelo burlesco das situações, mas sem a presença dos grandes comediantes do género, à exceção da impagável Zezé Macedo, que passa o filme a assediar o bochechudo do Trio Irakitan. Pelo meio uma vedete sem talento arma o seu próprio rapto para atrair a publicidade dos media, mas o rapto vai virar mesmo realidade às mãos de perigosos bandidos. Já vi melhores chanchadas. Melun 2020: 2/5 
Virou bagunça (Watson Macedo, 1960), produzido por Watson Macedo e Oswaldo Massaini (Cinedistri), roteiro de Watson Macedo, Meira Guimarães e Ismar Porto, com o Trio Irakitan, Zezé Macedo, Nádia Maria, números musicais de Trio Irakitan, Linda Batista, Emilinha Borba, Francisco Carlos, Carlos Gonzaga, Aracy Costa, César de Alencar ("Índio qué apito")

Une femme est une femme (Jean-Luc Godard, 1961)

Um dos meus filmes preferidos de Godard. Anna Karina indecisa entre o namorado, Jean-Claude Brialy, e Jean-Paul Belmondo, o amigo do casal. Qual dos dois vai ser o pai do seu filho? Temos assim uma comédia romântica e musical como não se vira até então. Música do grande Michel Legrand. E Charles Aznavour tem direito a uma passagem integral da sua canção Tu t'laisses aller, um verdadeiro clip musical. O filme é marcado por uma vertigem formal típica dos primeiros filmes de Godard, em que reflexão estética e ludismo não se largam e não nos dão descanso. Tudo em cinemascope. Era o auge da nouvelle vague. Paris 4/5  
Une femme est une femme (1961)  
Realização: Jean-Luc Godard    
Argumento: Jean-Luc Godard  
(ideia de Geneviève Cluny)  
Produção: Georges de Beauregard, Carlo Ponti  (Rome Paris Films, Euro International Film, EIA)  
Música: Michel Legrand   
Canção: "Tu t'laisses aller", de e por Charles Aznavour   
Fotografia: Raoul Coutard  
Atores: Anna Karina, Jean-Claude Brialy, Jean-Paul Belmondo, Marie Dubois, Jeanne Moreau, Dominique Zardi, Henri Attal, Nicole Paquin, Suzanne Ernest Menzer, Catherine Demongeot, Marion Sarraut, Gisèle Sandré, Dorothée Blank, Gérard Hoffmann, Karyn Balm

The Sound of Music (1965)

Versão digital restaurada 4K
Outubro de 2016

SWEET CHARITY (1966)

A OBRA (1966)
Cy Coleman

O ESPETÁCULO (Londres, 2016)

Sweet Charity é um clássico de Bob Fosse. Ele encenou e coreografou a criação na Broadway (1966) e depois (1969) transpôs para o cinema na sua primeira realização. O teatro Donbar propõe uma produção impecável com coreografia de Wayne McGregor e uma protagonista carismática e talentosa. O interesse por Charity continua mais de 50 anos depois... Londres 06.2019 Donbar 4/5

The Jungle Book (1967)

The Jungle Book (Wolfgang Reitheman, 1967) inspira-se na famosa obra de Rudyard Kipling, mas o filme está mais para Disney do que para Kipling. Houve um primeiro argumento com tons sombrios que foi recusado por Walt Disney e fez-se por fim uma obra mais solar com canções alegres e ritmadas pelo jazz. Para além da música instrumental assinada por George Bruns, o filme conta com oito canções originais, sendo sete dos Sherman Brothers e uma de Terry Gilkyson. Várias personagens (Mowgli e alguns animais da selva) têm direito a uma canção que os identifica e este lado musical é um dos mais notáveis deste clássico. Julgo nunca ter visto antes este filme, pelo menos em adulto. Vi-o agora na sala Grand Action, numa sessão bastante concorrida pela criançada. Claro que nunca tinha visto a versão francesa em que mesmo as canções são adaptadas para o francês. Tudo muito inspirado, embora não possa comparar com o original. Revisitar estes clássicos Disney vale sempre a pena e compensa as decepções com os modernos blockbusters de animação. Paris 2015 Le Grand Action 5/5

Can-Can (Walter Lang, 1960)

Can-Can é uma comédia musical da Fox, que tem as qualidades e os defeitos das produções musicais da época, marcada pelo declínio evidente deste género. O mais notável do filme é a música de Cole Porter e a sua interpretação por Frank Sinatra, Shirley MacLaine, Maurice Chevalier e Louis Jourdan. O destaque vai obviamente para Sinatra. O filme adapta de forma livre o musical homónimo da Broadway (1953) de Abe Burrows com música e letras de Cole Porter. No filme são ainda utilizadas canções famosas de Porter de musicais anteriores (como  "Let's Do It" de 1928 ou "You Do Something to Me" de 1929). As personagens são estereotipadas e o caso mais penoso é o de Maurice Chevalier, no papel de um juiz parisiense. No centro da história temos Simone Pistache (MacLaine), proprietária de um estabelecimento parisiense onde se dança o Can Can, proibido à época em que se passa a história (1896). Ela terá de escolher entre dois pretendentes ao seu coração (Sinatra e Jourdan) e vencer a censura e as ligas de decência moral da época. Nunca encontramos neste filme a graça e a criatividade dos números musicais dos clássicos da MGM. Talvez o enérgico estilo Can-Can não permita subtilezas coreográficas, mas o trabalho de Hermes Pan (o coreógrafo de Astaire) não me pareceu muito inspirado. Claro que hoje não se fazem filmes-espetáculo como Can-Can: apesar dos defeitos, é um prazer assistir ao filme. 3,5/5