ON THE TOWN (1944)

V2019 junho Paris: Théâtre des Variétés 2019

On the Town, o musical apresentado em junho no Théâtre des Variétés, é o espetáculo montado pela École de Comédie Musicale de Paris, para encerrar o ano escolar. Foi uma oportunidade rara de ver este musical num teatro. Com a música interpretada por um grupo orquestral dirigido por Laurent Brack,  e mise en scène de Ned GRUJIC. Paris 3/5

Magic from the Musicals (1991)

CD Music Club 1991

O mundo dos musicais (americanos e britânicos) é tão vasto... Só para falar das gravações em estúdio, temos os discos com os original cast recordings e depois os cast recordings das reposições dos grandes clássicos. E por fim, as coletâneas de hits feitas por artistas carismáticos, incluindo cantores de ópera. Então para quem está pouco familiarizado com a arte do musical, as compilações como esta são preciosas. Magic from the Musicals serve-se do melhor que os grandes clássicos nos deixaram, uns da old school (americanos) outros da new school (britânicos, como Lloyd Webber). São hit songs cantados por grandes nomes dos musicais, dos quais só conhecia Howard Keel, Petula Clark e Topol. É tudo muito bom, apenas embirrei com a voz de Brian Blessed. No booklet, John Maryland começa assim o seu texto: "What an intriguing musical mixture there is on this album!". Pois é muito bem vinda essa mistura, é um retrato fiel da arte do musical. 4/5

Cole Porter The Definitive Biography (1998)

Livro de William McBrien
BIBLIOTECA

Richard Rodgers fez alguns dos musicais mais perfeitos, e as canções que hoje ouvimos dele são devedoras do contexto teatral em que foram criadas. Mas Cole Porter, que também produziu quase sempre para o teatro, viu as suas canções se emanciparem dessa origem e tornarem-se canções jazz e pop cantadas por imensos artistas que com frequência lhe têm dedicado songbooks. Cole Porter não tinha parceiros, era o autor absoluto, autor da música e das letras e também por essa razão os seus musicais não são tão memoráveis quanto os que Rodgers concebeu com os seus parceiros Hart e Hammerstein II. A grande exceção é evidentemente Kiss Me, Kate, obra-prima teatral de Cole Porter.  Porter nasceu em berço de ouro, teve educação universitária e desde os tempos de estudante mostrou vocação para o songwritting e para o espetáculo. Casou-se com uma milionária mais velha do que ele e o casal era um dos mais colunáveis da sociedade americana e europeia  dos anis 20, e dividia o seu tempo entre os dois continentes. Durante cerca de dez anos Porter escreveu musicais mas não teve êxito. Foi com o seu regresso definitivo aos EUA que começou o longo período (anos 30, 40 a 50) em que inundou os teatros e a rádio com dezenas de grandes canções. Porter teve uma vida dupla, pois foi casado sempre com a mesma mulher, mas manteve uma vida homossexual agitada e nada discreta. Hollywood nos anos 40 fez um biopic de Porter e claro, este não podia reconhecer-se naquela personagem (com os traços de Cary Grant) e história falsas, pois a parte mais profunda do seu ser era escamoteada. Paris, dezembr de 2017  5/5

Songs from South Pacific (1993)

CD Pickwick 1993
DISCOTECA

Há meses vi a versão para cinema deste conhecido musical de Rodgers & Hammerstein II, mas foi com este disco que pude atentar melhor na beleza da famosa partitura. Este disco foi gravado por artistas do West End londrino. Matthew Freeman dirige a The West End Orchestra e cantam, entre outros, Gemma Craven ("I'm gonna wash...", "I'm in love with a wonderful guy"), David Kernan (("Some enchanted evening"), Linda Hibberd ("Bali Ha'i"), ou Nic Curtis ("Younger than springtime"). Não conheço muitas gravações destas canções por artistas do teatro musical, mas parece-me que é difícil fazer melhor do que isto. VC 5/5 

INTO THE WOODS (1987)

Musical de Stephen Sondheim

O Théâtre du Châtelet continua a apresentar obras de Stephen Sondheim, talvez o mais operático de todos os grandes compositores de musicais americanos. Tendo visto pelo menos três ou quatro ao longo dos últimos anos, torna-se claro para mim que é um enorme compositor independentemente da área musical que se considere.  Into the Woods parte do imaginário dos contos de fadas, tal como foram revistos ou interpretados pelo psicanalista Bruno Bettelheim, para criar um espetáculo inteligente, irreverente e surpreendente. Assim, numa mesma história aparecem várias personagens de todos conhecidas (Cinderela, Capuchinho Vermelho, Rapunzel, etc.). Não existem aqui, como nos melhores musicais clássicos, canções que fiquem de imediato no ouvido e podem ganhar vida própria (como grande parte do cancioneiro americano, proveniente das comédias musicais da Broadway). Mas o tecido instrumental e as partes vocais vão-se sucedendo originando uma obra de grande beleza musical. Além disso o que se passa no palco também é uma maravilha. Uma encenação e direção de atores-cantores sem mácula fazem do espetáculo do Châtelet um dos melhores que já vi. Em maio e junho já estão programados óperas e musicais de John Adams (The Flowering Tree) e Richard Rodgers (The King and I). Depois de tantos excelentes espetáculos a que assisti no Châtelet, não faltarei à chamada para ver estas duas produções. Into the Woods (1987) Música e lyrics de Stephen Sondheim e libreto de James Lapine. Paris, abril de 2014 Théâtre du Châtelet 5/5

THE PHANTOM OF THE OPERA (1986)


O ESPETÁCULO (Londres, 2017)
Musical de Andrew Lloyd Webber

Fiquei ligeiramente desiludido com o musical The Phantom of the Opera. Apesar do belo score e das belas melodias de Andrew Lloyd Webber, apesar dos cenários que mudam constantemente e dos efeitos especiais impressionantes (esta é a produção original dirigida por Harold Prince), apesar dos bons cantores. Tive mais dificuldade do que é costume em compreender as letras (de Charles Hart), embora isso não seja importante (na ópera passa-se o mesmo). Talvez o que mais me agrada em Lloyd Webber sejam as melodias e menos o score global (na ópera e em Sondheim, por exemplo, cada nota musical parece interessar-me). Londres, setembro de 2017 Her Majesty's Theatre 3,5/5

COMPANY (1970)




Company (Londres, 2018)

COMPANY (Stephen Sondheim, 1970)

Company é um dos melhores espetáculos que vi até hoje. Conhecia as famosas canções do musical através do disco (Company, You Could Drive a Person Crazy, The Ladies Who Lunch, Side by Side, Being Alive), agora elas ganharam todo o sentido no contexto para o qual foram criadas. Se as canções são memoráveis o score musical e o book de Company não ficam atrás. Company (1970) é uma obra-prima e um marco dos musicais. Tenho a impressão de que supera todos os musicais atualmente em cena no West End londrino. Mas Company 2018 é uma nova e revolucionária versão de Company 1970. O protagonista Bobby (Robert) agora é uma mulher (Bobbie) e entre os casais amigos de Bobbie existe agora um casal gay. Stephen Sondheim não só aprovou a mudança como efetuou as alterações necessárias ao libreto. Agora Company fala diretamente às novas gerações. Bobbie faz 35 anos e é tempo de fazer o balanço: da sua vida mas também dos seus amigos, todos casados. Londres, novembro de 2018 Gielgud Theatre 5/5 

Sondheim: Company (1970), direção de Marianne Elliott, com Rosalie Craig (Bobbie), Patti LuPone (Joanne), Mel Giedroyc (Sarah), Jonathan Bailey (Jamie), George Blagden (PJ), Ashley Campbell (Peter), Richard Fleeshman (Andy), Alex Gaumond (Paul), Richard Henders (David), Ben Lewis (Larry), Daisy Maywood (Susan), Jennifer Saayeng (Jenny), Matthew Seadon-Young (Theo) Gavin Spokes (Harry)