Songs from South Pacific (1993)

CD Pickwick 1993
DISCOTECA

Há meses vi a versão para cinema deste conhecido musical de Rodgers & Hammerstein II, mas foi com este disco que pude atentar melhor na beleza da famosa partitura. Este disco foi gravado por artistas do West End londrino. Matthew Freeman dirige a The West End Orchestra e cantam, entre outros, Gemma Craven ("I'm gonna wash...", "I'm in love with a wonderful guy"), David Kernan (("Some enchanted evening"), Linda Hibberd ("Bali Ha'i"), ou Nic Curtis ("Younger than springtime"). Não conheço muitas gravações destas canções por artistas do teatro musical, mas parece-me que é difícil fazer melhor do que isto. VC 5/5 

Somewhere for Me - A Biography of Richard Rogers (2001)

Bloomsbury 2001
BIBLIOTECA

Meryle Secrest escreveu uma obra de referência sobre o grande compositor de musicais Richard Rodgers. A vida e a carreira de Rodgers coincidem com a grande época dos musicais americanos (dos anos 20 aos 60) e bastaria um dos seus dois grandes períodos criativos, o da parceria com Lorenz Hart e o da parceria com Oscar Hammerstein II, para ser considerado um dos maiores compositores de sempre. É maravilhoso seguir com pormenores a relação profissional e de amizade entre Rodgers e os seus dois companheiros e sobre o contexto de criação das obras que assinaram. Há um aspecto pouco explorado no livro que me deixou curioso. Que outro tipo de música interessava Rodgers? Afinal foi ele quem levou mais longe a aproximação que se faz entre o musical e a ópera. Seguiria ele a evolução deste género erudito? Por essa e outras razões não só releria esta obra com prazer como leria outras sobre Rodgers (a sua autobiografia já está na calha das minhas leituras). Paris, dezembro de 2017 5/5

INTO THE WOODS (1987)

Musical de Stephen Sondheim

O Théâtre du Châtelet continua a apresentar obras de Stephen Sondheim, talvez o mais operático de todos os grandes compositores de musicais americanos. Tendo visto pelo menos três ou quatro ao longo dos últimos anos, torna-se claro para mim que é um enorme compositor independentemente da área musical que se considere.  Into the Woods parte do imaginário dos contos de fadas, tal como foram revistos ou interpretados pelo psicanalista Bruno Bettelheim, para criar um espetáculo inteligente, irreverente e surpreendente. Assim, numa mesma história aparecem várias personagens de todos conhecidas (Cinderela, Capuchinho Vermelho, Rapunzel, etc.). Não existem aqui, como nos melhores musicais clássicos, canções que fiquem de imediato no ouvido e podem ganhar vida própria (como grande parte do cancioneiro americano, proveniente das comédias musicais da Broadway). Mas o tecido instrumental e as partes vocais vão-se sucedendo originando uma obra de grande beleza musical. Além disso o que se passa no palco também é uma maravilha. Uma encenação e direção de atores-cantores sem mácula fazem do espetáculo do Châtelet um dos melhores que já vi. Em maio e junho já estão programados óperas e musicais de John Adams (The Flowering Tree) e Richard Rodgers (The King and I). Depois de tantos excelentes espetáculos a que assisti no Châtelet, não faltarei à chamada para ver estas duas produções. Into the Woods (1987) Música e lyrics de Stephen Sondheim e libreto de James Lapine. Paris, abril de 2014 Théâtre du Châtelet 5/5

THE PHANTOM OF THE OPERA (1986)


O ESPETÁCULO (Londres, 2017)
Musical de Andrew Lloyd Webber

Fiquei ligeiramente desiludido com o musical The Phantom of the Opera. Apesar do belo score e das belas melodias de Andrew Lloyd Webber, apesar dos cenários que mudam constantemente e dos efeitos especiais impressionantes (esta é a produção original dirigida por Harold Prince), apesar dos bons cantores. Tive mais dificuldade do que é costume em compreender as letras (de Charles Hart), embora isso não seja importante (na ópera passa-se o mesmo). Talvez o que mais me agrada em Lloyd Webber sejam as melodias e menos o score global (na ópera e em Sondheim, por exemplo, cada nota musical parece interessar-me). Londres, setembro de 2017 Her Majesty's Theatre 3,5/5

COMPANY (1970)




Company (Londres, 2018)

COMPANY (Stephen Sondheim, 1970)

Company é um dos melhores espetáculos que vi até hoje. Conhecia as famosas canções do musical através do disco (Company, You Could Drive a Person Crazy, The Ladies Who Lunch, Side by Side, Being Alive), agora elas ganharam todo o sentido no contexto para o qual foram criadas. Se as canções são memoráveis o score musical e o book de Company não ficam atrás. Company (1970) é uma obra-prima e um marco dos musicais. Tenho a impressão de que supera todos os musicais atualmente em cena no West End londrino. Mas Company 2018 é uma nova e revolucionária versão de Company 1970. O protagonista Bobby (Robert) agora é uma mulher (Bobbie) e entre os casais amigos de Bobbie existe agora um casal gay. Stephen Sondheim não só aprovou a mudança como efetuou as alterações necessárias ao libreto. Agora Company fala diretamente às novas gerações. Bobbie faz 35 anos e é tempo de fazer o balanço: da sua vida mas também dos seus amigos, todos casados. Londres, novembro de 2018 Gielgud Theatre 5/5 

Sondheim: Company (1970), direção de Marianne Elliott, com Rosalie Craig (Bobbie), Patti LuPone (Joanne), Mel Giedroyc (Sarah), Jonathan Bailey (Jamie), George Blagden (PJ), Ashley Campbell (Peter), Richard Fleeshman (Andy), Alex Gaumond (Paul), Richard Henders (David), Ben Lewis (Larry), Daisy Maywood (Susan), Jennifer Saayeng (Jenny), Matthew Seadon-Young (Theo) Gavin Spokes (Harry)


ASSASSINS (1990)

Musical de Stephen Sondheim

Foi uma bela surpresa este breve musical (90 minutos) de Stephen Sondheim que vi no Pleasance Theatre, bem longe do West End. Um musical político, mas cheio de bom humor, sobre os homens e as mulheres que ao longo da história dos EUA tentaram assassinar o Presidente (alguns conseguiram-no, como se sabe). A música de Sondheim (que assina também o libreto, a partir de uma história de John Weidman) está bem acima de tudo o resto, inclusive dos bons cantores/atores. Boas notícias para os admiradores de Sondheim: nos próximos tempos Follies (National Theatre) e Company (West End) voltam aos palcos londrinos. Londres, abril de 2018 Pleasance Theatre 3,5/5

Elenco: Jason Kajdi (Balladeer/Lee Harvey Oswald)  Andrew Pepper (Charles Guiteau) Alexander McMorran (John Wilkes Booth) Abigail Williams (Sara Jane Moore) Alfie Parker (Samuel Byck) Conor McFarlane (Leon Czolgosz) Jack Reitman (Giuseppe Zangara) Peter Watts (Propietor) Toby Hine (John Hinckley)

Encenação: Louise Bakker

PASSION (1994)

Musical de Stephen Sondheim

A criação francesa do musical de Stephen Sondheim, Passion (Broadway, 1994), com libreto de James Lapine, ocorreu esta semana pelas mãos de duas estrelas francesas: a diva lírica Natalie Dessay e a atriz Fanny Ardant, no papel de encenadora. Passion conta a história de uma paixão ou de várias paixões em torno de um militar, apaixonado por uma jovem e bela mulher casada e perseguido por outra mulher menos jovem, feia e doente (Fosca). A paixão masculina vai passar de uma a outra mulher e é essa metamorfose imprevisível mas irresistível que concentra o interesse da história, talvez mais do que a heroína Fosca. Esta dera o título a um romance italiano (1869) que por sua vez inspirou um filme de Ettore Scola (1981). O musical de Sondheim bebe mais no romance do que no filme, pelo que li. Natalie Dessay compõe uma Fosca magnífica, como atriz e como cantora, e os outros cantores-atores dão-lhe uma resposta à altura. A peça de Sondheim-Lapine parece na realidade uma ópera e afasta-se do que a Broadway (onde foi criada em 1994) está habituada a ver. Os diálogos não disfarçam a ambição do criador: estender a música e a melodia a toda a peça, como se fosse uma canção ininterrupta. Não é o meu musical preferido de Sondheim mas não deixa de ser muito belo. Paris 4/5