Comentário: Lady of Burlesque (William Wellman, 1943)

A história de Lady of Burlesque passa-se nos bastidores de um teatro de variedades, em que as estrelas são dançarinas e cantoras. Barbara Stanwyck é a única estrela, na verdade, e forma par com o pouco conhecido Michael O'Shea. Os bastidores do teatro é um ninho de vespas, onde a vaidade e as rivalidades abundam. Uma dessas dançarinas é envenenada e estrangulada e a temperatura no teatro sobe subitamente. O inquérito policial passa então para primeiro plano neste filme muito modesto, cuja principal qualidade consiste em retratar o dia-a-dia de um género de entretenimento popular que praticamente desapareceu. VC 2,5/5

Leitura: Under the Rainbow - The Real Liza Minnelli (George Mair, 1996)

Numa pesquisa rápida que fiz na net, verifiquei que esta biografia escrita por George Mair há 20 anos, permanece a mais recente biografia de Liza Minnelli e talvez a melhor, apesar dos seus defeitos. Nunca poderia constituir uma biografia de referência, porque há aspectos importantes da carreira da artista que são simplesmente ignorados; é o caso dos seus discos de estúdio. A grandeza de Liza reside nos seus shows e nas gravações ao vivo e é ponto assente que os seus álbuns de estúdio não espelham o talento que ela demonstra em palco, perante uma plateia. Mas isso não é razão para ignorá-los. De resto, o autor traça em poucas páginas o essencial da vida de Liza, e da sua carreira também: grande destaque é dado à relação com a mãe, Judy Garland, e à sua turbulenta vida amorosa. Afinal onde reside o génio de Liza Minnelli? Não é no cinema (apesar dos clássicos Cabaret e New York, New York) nem na música, mas sim na arte do showbizz tipicamente americano (nova-iorquino?), que exige a combinação de uma série de elementos como a dança, o canto, a interpretação, o star carisma, e uma capacidade de comunicação excecional com o público. Tudo isto Liza Minnelli dominava como poucos nos seus tempos áureos. Quanto à edição que tenho, gosto especialmente do livro-objecto: tem a qualidade dos hardbacks americanos, neste caso ilustrado com muitas e excelentes fotografias.VC 3/5

High Society - Original Soundtrack (1956)


Words & Music by Cole Porter

1. Overture  
The M-G-M Studio Orchestra, Johnny W. Green 
2. High Society Calypso  
Louis Armstrong And His Band, The M-G-M Studio Orchestra, Johnny W. Green 
3. Little One  
Bing Crosby, The M-G-M Studio Orchestra, Johnny W. Green 
4. Who Wants To Be A Millionaire  
Frank Sinatra, Celeste Holm, The M-G-M Studio Orchestra, Johnny W. Green 
5.True Love  
Bing Crosby, Grace Kelly, The M-G-M Studio Orchestra, Johnny W. Green 
6. You're Sensational (Capitol Studio Recording)  
Frank Sinatra, Orchestra, Nelson Riddle 
7. I Love You, Samantha  
Bing Crosby, The M-G-M Studio Orchestra, Johnny W. Green 
8. Now You Has Jazz  
Bing Crosby, Louis Armstrong, The M-G-M Studio Orchestra, Johnny W. Green 
9. Well Did You Evah?  
Bing Crosby, Frank Sinatra, The M-G-M Studio Orchestra, Johnny W. Green 
10. Mind If I Make Love To You  
Frank Sinatra, The M-G-M Studio Orchestra, Johnny W. Green

CD Europeu 1987

Comentário: Hair (Milos Forman, 1979)

Hair centra-se num pequeno grupo de hippies que vivem em Nova Iorque. Um dia encontram um jovem do interior do país que vai cumprir o serviço militar (os EUA estão em guerra), com o qual nada têm em comum. Porém, a amizade vai nascer entre eles. O filme consegue ser ao mesmo tempo uma crítica aos poderes instituídos e uma crítica ao próprio movimento hippie. Há números muito inspirados como o dos black boys/white boys  e a sequência final. Todavia, apesar do talento de Milos Forman, este filme parece-me um tanto datado, ou o problema sou eu, pois não me atrai minimamente o fenómeno hippie.. Paris, cinema Champo 3,5/5

Comentário: All That Jazz (Bob Fosse, 1979)

Há meses vi All That Jazz em dvd, agora não perdi a oportunidade de voltar a vê-lo numa sala com um grande ecrã (da cinemateca francesa). Parece que vi outro filme. Ainda melhor. Não creio que depois de All That Jazz tenha surgido um musical mais arrojado e importante. Tal como Woody Allen e Ingmar Bergman, no auge nos mesmos anos 70, Bob Fosse põe a morte no centro da sua obra, mas a partir da arte que ele domina melhor, o showbizz. Arte do entretenimento, arte feita para agradar ao público. A morte toma as formas atraentes de Jessica Lange, que provoca o coreógrafo interpretado por Roy Scheider, que não se deixa intimidar antes a tenta seduzir. Que ideia magnífica de falar do diálogo entre nós e a morte... O filme é extremamente original, mas irregular, e Fosse não recua perante nenhuma fonte que o possa inspirar: alta cultura (Vivaldi), publicidade, televisão, stand-up comedy, musical da Broadway... Os musicais dos anos 60 e 70 parecem ser sempre uma imitação dos musicais da idade de ouro de Hollywood, apenas Bob Fosse consegue evitar essa esterilidade e fazer algo novo, que só poderia ter sido feito no presente (do filme). E o melhor do filme talvez sejam mesmo os números musicais, alguns deles extraordinários. Paris 5/5

Comentário: Le Chanteur de Mexico (Richard Pottier, 1956)

Le Chanteur de Mexico é, na origem, uma opereta famosíssima de Francis Lopez, com Luis Mariano, adaptada para o cinema em 1956. Temos neste filme os ingredientes da comédia musical de Hollywood, mas nada está ao nível do modelo americano. Luis Mariano é um ator sofrível e o seu canto não resistiu muito à passagem do tempo e das modas. Como lhe falta a graça ou o humor das estrelas americanas... Bourvil concentra em si a comicidade da história, mas não é memorável, pelo menos para mim. Annie Cordy é a escolha mais acertada e no futuro iria trabalhar com sucesso na Broadway. Na realização e nos valores de produção é que o filme francês perde em toda a linha para o cinema musical americano. Vila do Conde DVD 3/5