Lumières de Paris (Richard Pottier, 1938)'

Quer-me parecer que antes do génio de Jacques Demy, as comédias ou dramas musicais franceses eram umas cópias deslavadas das originais americanas. Como muitas destas, Lumières de Paris (1938) tem um argumento simples, quase pateta, que tem por objetivo fazer brilhar a estrela local que justifica o filme: o cantor Tino Rossi. Quando o filme foi feito, Rossi era um cantor de variedades imensamente popular (é ele o cantor da canção mais vendida em França) e desde Marinella (1936) eram feitos filmes a pensar nele. Em Lumières de Paris, Rossi é um cantor de music-hall célebre, que resolve passar um tempo na província onde faz novos amigos e apaixona-se por uma mulher que não o reconhece como o célebre cantor que é. Ao longo do filme Rossi interpreta "Paris voici Paris!" , "Au bal de l'amour" e mesmo "Ave Maria", de Gounod (uma bela versão). Mas pouco mais a destacar no filme. VC 2,5/5

Comentário: Un brave garçon (Boris V. Barnet, 1943)

Um filme de guerra, pode considerar-se mesmo um filme de propaganda pois foi feito com o intuito de reforçar o moral dos soldados soviéticos que combatiam os alemães. O filme acabou por ser mostrado apenas às tropas, não tendo estreado nas salas. Renasceu nos anos 90 com uma restauração. Um acampamento de camponeses russos, que vivem perto das tropas alemãs estacionadas na região, salva um piloto francês que aterra de paraquedas sob os seus olhos. Enquanto o avião é reparado, o francês tem faz amizade com os locais e vive uma paixão com um jovem russa. O mérito (quase) todo do filme vai para Barnet, cujo génio desvia o filme dos limites dos filmes de propaganda. Barnet é um bom realizador de comédias mas ultrapassa-se nas sequências de amor entre jovens. Mas este filme também corteja o cinema musical. Um dos personagens principais é um cantor, que exprime pelo canto operático tão típico dos russos, o desespero e a esperança do seu povo. Mas o par amoroso principal também canta para exprimir o seu estado passional. O filme ainda pode hoje ser visto com prazer pelos cinéfilos. VC 2,5/5

Stop Making Sense (Jonathan Demme, 1984) renasce nas salas e em DVD

Estreia integrada no projeto Cinema Bold, 31/8/2017
Cinema Ideal (Lisboa)
Cinema Trindade (Porto)

Comentário: Mr. Imperium (Don Hartman, 1951)

Um filme romântico-musical que é uma sombra dos grandes musicais da mesma MGM que o produziu. Nunca tinha ouvido falar deste filme, que foi um fracasso artístico e de bilheteira quando estreou e, pelo que li, teve uma difusão de filme de série B. Que obviamente não é, pois o tecnicolor serve para fazer brilhar as paisagens italianas (onde se passa a primeira parte do filme) assim como a deslumbrante Lana Turner, para quem o tecnicolor parece ter sido inventado. O que falha então? Talvez o batido argumento de Don Hartman e Edwin H. Knopf, sobre uma cantora que se apaixona por um príncipe italiano que entretanto se torna rei mas devido às responsabilidades inerentes ao cargo real, não pode casar com ela. Sem dúvida, falha no protagonista, o cantor de ópera Ezio Pinza, que não tem qualquer carisma fotogénico e estraga as canções de Dorothy Fields & Harold Arlen, cantando-as como se fossem cantigas napolitanas. Uma curiosidade, com algum charme apesar de tudo. VC 2/5

The Sound of Music (1965) de novo nas salas francesas

Versão digital restaurada 4K
Outubro de 2016

Filmes de Demy voltam às salas


Reposição no cinema Nimas (Lisboa), numa versão digital restaurada, no dia 17 de agosto de 2017.